A História do Vidro

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Julga-se que o vidro existe desde há cerca de 4000 ou 5000 anos, mas trata-se de uma situação ainda em estudo. Encontraram-se objetos manufacturados produzidos através de um vidro natural que se formou pela ação vulcânica, com o nome de Obsidiana, que remonta a 21000 a.C., utilizados pelos povos Índios pré-Colombianos. O desenvolvimento de algumas cidades importantes, como Teobithuacan, deve-se à indústria e comércio do vidro, que tenderia a desaparecer em 750 d.C., dando origem à crise comercial deste produto.
Através do livro “ Historia Naturallis”, escrito por Plínio, pensa-se ainda que foram os comerciantes fenícios que descobriram o vidro eventualmente na embocadura do rio Belus, quando aqueciam as suas refeições sobre blocos de salitre. Esta ideia encontra-se em discussão, visto que o vidro já era fabricado pelos egípcios no século XVI a.C., estando nessa época os fenícios ainda a iniciar a sua produção industrial. É com os Egípcios que o vidro perde cor, uma vez que dominaram a coloração artificial formando os vidros incolores com uma composição à base de chumbo. Este povo, para além de fabricar o vidro usava técnicas de corte, cinzelagem e polimento. Através destas técnicas mais complexas conseguiram fabricar pérolas artificiais, que só os ricos podiam comprar, em tão elevado número que estas se tornaram um importante artigo de exportação. No século I d.C. surge o vidro como um cristal, um material muito marcante na civilização romana. Nesta época desenvolve-se também a técnica de sopro, já usada pelos Egípcios. Na era cristã são produzidos espelhos, lentes e prismas ópticos, porque se consegue um maior grau de pureza. No séc. XIV existe uma grande preocupação com a qualidade do vidro, tal como a sua transparência e homogeneidade, visto que estas propriedades afectam as componentes ópticas. Através da leitura de um jornal cultural português consegue perceber-se a história do vidro na época medieval no séc. XIX: “Nos tempos modernos dizem que um frade inglez chamado Benalt inventou de novo o vidro no séc. IX; e que já se usava em vidraças de casas particulares em 1180. Afirmam outros que a invenção é franceza, e que a arte de fazer o vidro passou de França para a Inglaterra em 674, sendo os monges os primeiros que se serviram de vidraças nas janellas das egrejas e mosteiros; o que parece certo é que o uso das vidraças nas casas particulares era ainda muito raro no seculo duodecimo.” Segundo Beda, a arte de fazer vidro entrou nesse país em meados do séc. VII pela mão de um tal Benedito, um eclesiástico e ministro de Osway rei de Northhumberland. Contudo, Thomas Stubb afirma que tal introdução foi feita por Wigfrid, bispo de Worcester, em 726 d.C. Inclui Leão Ostiense em 760 d.C. o uso de placas de vidro nas janelas de habitações e Anastásio, historiador romano, diz em 800 d.C. que no pontificado de Leão III eram usados vidros pintados nas janelas e que existiam dois painéis de vidro pendurados na igreja de S. Clemente em 850 d.C. Em Portugal a indústria de vidro surge no século XV. Escreve-se sobre a industria do vidro no fim do séc. XIX: “A industria do vidro, em Portugal, foi introduzida no século XV, com a fundação de uma pequena fabrica na freguesia de S. Pedro de Villa-Chã, concelho de Oliveira de Azemeis, denominada fabrica do Côvo, pelos annos de 1484. Foi esta fabrica protegida por el-rei D. João II, que lhe deu uma provisão garantindo que não se podesse estabelecer outra fabrica, sem consentimento do dono da primeira, um tal Diogo Fernandes ao que parece. Apesar d´este previlegio, em 1498 estabeleceu-se outra pequena fabrica de vidros em Coina, não se sabe se com consentimento do proprietario da fabrica do Côvo. Esta nova fabrica que a principio pouca produção teve, foi desenvolvendo-se com o andar dos tempos, de modo que em 1580 os seus productos faziam grande concorrencia á fabrica do Côvo, o que obrigou esta a fazer-se valer dos seus antigos previlegios perante D. Affonso.”

A História do Vidro na Arquitetura Brasileira

Foto Internet

Precioso e raro na colônia, o vidro plano popularizou-se no século 20 e hoje empresta luxo e modernidade às mais belas construções arquitetônicas.

Entre os presentes e mimos oferecidos por Cabral aos Tupinambás do sul da Bahia em abril de 1500 não havia nada feito de vidro, segundo Pero Vaz de Caminha, testemunha ocular e relator oficial do encontro inaugural da nossa história. Mas com a exploração intensiva do pau-brasil nas décadas seguintes, a troca de árvores cortadas pelos nativos por variados artigos europeus virou prática usual, e a lista de produtos oferecidos aumentou. Em 1549, na construção da cidadela que deu origem a Salvador, a primeira capital do Brasil, o governador Tomé de Souza pagou a madeira fornecida pelos índios com um lote de mercadorias que incluía 14 dúzias de facas, 320 tesouras, 9 200 anzóis – e 70 espelhos.

O escambo e o comércio regular da colônia com a metrópole cresceram, mas não impediram que por um bom período o vidro fosse um personagem furtivo, quase oculto, mais refletindo do que intervindo na paisagem brasileira. Nos primeiros tempos da sociedade colonial, de vida modesta e construções rústicas, a presença do vidro limitou-se a alguns raros utensílios domésticos, como frascos e copos – tão raros que, quando existiam, eram arrolados nos inventários familiares –, e algumas janelas envidraçadas, privilégio de umas poucas edificações. O vidro, no Brasil, era um personagem ainda à procura de uma história.

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